Vantagens e desvantagens do plano

A importância e a oportunidade dos objectivos estratégicos do plano foram temas dos capítulos iniciais deste trabalho.
Nas vantagens e desvantagens da sua implementação procuramos respostas a duas questões essenciais. A primeira é se o plano compromete ou não sistemas fundamentais do funcionamento da vila. A segunda é se tem ou não capacidade de resposta aos próprios objectivos estratégicos.
Importa descobrir não apenas se os ‘prós’ excedem os ‘contras’, mas também se os primeiros são suficientemente motivadores e se há, entre os segundos, obstáculos irresolúveis.
Neste capítulo, começamos por um enunciado de vantagens e desvantagens concretas do plano, para depois analisarmos o seu impacto nos índices IAT. Mas deixe-se já nota de uma vantagem psicológica: perante a depressão da vila e a crise generalizada, colocar um plano no terreno já é um forte sinal motivador do ânimo e das esperanças dos alenquerenses.


COMUNIDADE

(+) Sustentabilidade. Alenquer dá um passo no sentido de se adaptar às necessidades de reduzir a poluição atmosférica e a dependência energética, promovendo padrões de mobilidade amigos do ambiente.
(+) Recentramento. A vila estrutura-se de forma a promover o encontro e a permanência, favorecendo os laços sociais e combatendo o esvaziamento dos centros e a dispersão produzidos pela suburbanidade.
(+) Modernidade. A vila eleva o seu padrão de vida urbana, hoje o verdadeiro emblema de modernidade e qualidade de vida, construindo finalmente um espaço pedonal extenso e um centro polarizador.
(+) Democracia. O espaço pedonal é, por natureza, o mais democrático, pois não existem nele separação de zonas, interdições, prioridades ou diferenças na quantidade de espaço que cada pessoa utiliza.


ESPAÇO PÚBLICO

(+) Ambiente. As vias comerciais deixarão de ter o fumo e ruído do trânsito automóvel.
(+) Segurança. As pessoas podem percorrer estas ruas mais tranquilas e disponíveis para dar atenção às ofertas comerciais, não tendo de se preocupar com a sua segurança.
(+) Conforto. As vias pedonais, conforme a sua dimensão, podem passar a dispor de bancos, espaços verdes, árvores, repuxos e outros elementos valorizadores da qualidade ambiental.
(+) Polaridade. A materialização da condição de centro do Largo Palmira Bastos reforça-o como pólo de atracção, somando às suas características topológicas naturais a disponibilidade de espaço para a permanência de pessoas e mobiliário urbano de elevado padrão.
(+) Polaridade. A Rua de Triana ganha uma entrada convidativa no Largo Rainha Santa Isabel, com um espaço de permanência de que aquele largo carece como centro de transportes.
(+) Paisagem. A nova configuração do Largo Palmira Bastos para os peões permite-lhes melhor usufruir de uma paisagem que reúne a maioria dos sítios e edifícios notáveis da vila.
(+) Mobilidade. As pessoas terão mais espaço, não tendo de contornar viaturas mal paradas ou pilaretes, ou andarem a desviar-se umas das outras; não tendo também de atravessar uma estrada para chegar a uma loja no outro lado da rua.
(+) Mobilidade. Torna-se possível aos peões atravessarem a vila em toda a sua extensão exclusivamente por vias pedonais ininterruptas e despoluídas, sem fumos ou ruídos.
(+) Mobilidade. A mobilidade para pessoas em cadeira de rodas ou com carrinho de bebé torna--se francamente boa, quando actualmente é praticamente impossível – sobretudo junto ao comércio – sem que usem a estrada. Uma situação que já é inadmissível nos dias presentes.


ECONOMIA LOCAL

(+) Investimento. A vila dá um passo significativo na qualificação das suas ruas comerciais, oferecendo maior conforto às pessoas que nelas circulam. Abrem-se assim novas oportunidades para os comerciantes, presentes e potenciais, dando-se resposta à progressiva erosão dos negócios locais produzida pelas grandes superfícies.
(+) Interesse. Uma mudança dos dados gera incerteza, mas também interesse, ou pelo menos curiosidade. Este é um capital que os comerciantes podem explorar para lançar (ou relançar) os seus negócios.
(+) Interactividade. Os comerciantes podem agora usufruir do espaço público para melhor contactarem com as pessoas, anunciarem e exporem os seus produtos e fazerem esplanadas.
(+) Proximidade. As ruas encerradas são estreitas e sem paisagem, portanto ideais para focar a atenção dos transeuntes nas lojas. Assim ela não esteja presa no trânsito e os seus percursos limitados pelas vias rodoviárias.
(+) Proximidade. As lojas poderão ter as suas portas abertas, o que hoje nem sempre acontece, por causa do fumo dos veículos ou da água da chuva que estes projectam à sua passagem.


CIRCULAÇÃO RODOVIÁRIA

(+) Solução. O estreitamento da Rua dos Guerras junto ao Largo do Espírito Santo deixa de constituir um problema, visto que manterá apenas o sentido descendente.
(-) Custo. A alternativa à Rua Sacadura Cabral prevê a construção de uma ponte e do arranjo do arruamento que passará frente à Chemina.
(-) Interdição. Não será mais possível parar à porta dos estabelecimentos das ruas encerradas, ainda que este estacionamento já seja, em muitos casos, interdito.
(-) Interdição. O acesso da Vila Baixa ao Areal e à Vila Alta passa a exigir um trajecto mais longo, semelhante ao que é feito no percurso inverso.
(-) Abrandamento. Os circuitos internos na Vila Baixa passam a coincidir com o eixo distribuidor, tornam-se um pouco mais extensos e com maior número de pontos de abrandamento.
(-) Abrandamento. O largo e a ponte do Espírito Santo podem tornar- -se congestionados,  uma vez que ali se cruzarão os dois circuitos da Vila Baixa.
(-) Condicionante. A nova ponte e o arruamento que passará frente à Chemina introduzem uma nova condicionante à solução que venha a ter aquele edifício, ainda que não obrigatoriamente uma desvantagem.


ESTACIONAMENTO

(+) Ordenamento. O grande parque do Areal, além de pavimentado e ordenado, ganha uma via confortável para as deslocações a pé entre ele e a Vila Baixa.
(+) Ordenamento. O parque no largo do mercado compensa muitos dos lugares perdidos nas ruas encerradas, concentrando-os numa zona organizada e que resolve o desordenamento actual daquele espaço.
(+) Ordenamento. O estacionamento de longa duração é eliminado do centro da vila com o novo critério de taxação, através de um melhor aproveitamento das zonas periféricas.
(+) Ganho. Os moradores na Vila Baixa terão mais lugares exclusivos, o que será uma mais--valia nas suas vidas quotidianas mas também no mercado imobiliário da vila.
(-) Perda. A Vila Baixa perde no número total de lugares disponíveis de acesso geral.
(-) Perda. O centro e imediações deixarão de ter estacionamento gratuito.


TRANSPORTES PÚBLICOS

(-) Chegadas. As chegadas das carreiras provenientes do sul deixarão de utilizar as paragens ao longo da Vila Baixa, circulando pelas estradas nacionais entra Santa Catarina e o terminal.
(+) Partidas. As partidas das carreiras que se dirigem ao oeste passam a utilizar as paragens ao longo da Vila Baixa, entrando na EN-1 no final da Av. 25 de Abril, e só daqui derivando para a EN-9.
....................................................................................................................................................

Variações nos índices IAT: atractividade


Para medirmos o impacto do plano no mapa da atractividade foi necessário classificar cada zona na sua nova configuração, bem como outras zonas que serão indirectamente afectadas.
Esta classificação limitou-se aos elementos concretos do plano, como o aumento do espaço pedonal e a arborização, e a dados objectivamente previsíveis, como a transferência de tráfego rodoviário de umas vias para outras. Portanto, evitou especular sobre a reacção das pessoas, mantendo inalteradas as classificações sobre a concentração de pessoas, actividades, estabelecimentos, tipos de negócio e eventuais novas práticas dos comerciantes.
A variação na atractividade – objectivamente previsível – que o plano produz resulta assim reduzida e em muitos casos perfeitamente marginal. Por si só, não justificaria a sua implementação.

IAT: variações resultantes do plano nos índices de atractividade


























Um mais efectivo e consistente aumento da atractividade das zonas intervencionadas depende, pois, de uma reacção positiva da população e dos agentes económicos e sociais às modificações trazidas pelo plano. E esta reacção é objectivamente imprevisível, pois os padrões do comportamento humano não são uma ciência exacta e não está no espírito deste trabalho argumentar com desejos como se de factos se tratassem.
É propósito deste trabalho sim, criar uma convicção tão sustentada quanto possível de que as propostas que apresenta são um caminho seguro para que Alenquer ganhe um potencial objectivo de se tornar bastante mais atractiva. Potencial de que a vila, nas actuais condições, não dispõe e de que muito precisa.
....................................................................................................................................................

Variações nos índices IAT: conforto


A opção de não especular sobre o comportamento das pessoas e dos agentes sociais reduz consideravelmente a variação do índice de atractividade com a implementação do plano, facto que tem óbvia correspondência nos índices sectoriais que distinguimos. Mas, como também já mencionado, o conforto é o único índice que não depende daquele factor, mas apenas das características do meio, e por isso a sua previsão, ao contrário das restantes, não deixa grande espaço a incertezas.
E assim, é este o mapa que dá expressão àquele que é o maior ganho directo deste plano: uma subida substancial dos padrões de conforto nas vias intervencionadas. Para dar uma ideia mais concreta, mencionem-se as três zonas que mais ganham: a Rua Serpa Pinto, cujo índice de conforto sobe de 7,35 para 15,77; a Sacadura Cabral, junto aos Correios (de 7,58 para 14,59); a parte velha da Rua de Triana (8,49 para 15,11).

IAT: variações resultantes do plano nos índices de conforto


























Os ganhos de conforto devem-se a ganhos imensos de espaço pedonal, livres de ruído e poluição, e também à arborização de alguns locais que hoje praticamente não têm protecção do clima. E ainda à distribuição de algum novo mobiliário urbano, nomeadamente de bancos de jardim.
A deslocação do trânsito rodoviário das vias encerradas irá provocar impactes negativos no conforto nas zonas onde passam as vias alternativas, acrescentando-lhes ruído, poluição atmosférica e perigo de acidentes.
Mas estes prejuízos são significativamente inferiores aos benefícios criados, além de que não se afiguram suficientes para comprometer o funcionamento normal das zonas afectadas.
....................................................................................................................................................

Variações nos índices IAT: actividade


As alterações no trânsito diminuem a actividade nas ruas encerradas, acrescentando-a naquelas que passam a fazer parte dos circuitos alternativos. Mas na variação dos índices de actividade, este é apenas um dado de base, objectivamente previsível. A efectiva variação da actividade resultará da variação de outros factores que as novas classificações não alteraram, por não terem este mesmo grau de previsibilidade.
Ou seja, resultará da resposta positiva a questões sobre as quais apenas podemos formar convicções, impossível que é comprovar antecipadamente cenários infalíveis. No entanto, isso não deve impedir-nos de formulá-los, respondendo às questões que podem significar um efectivo incremento dos índices de actividade, ainda que não expressemos essas respostas neste mapa.

IAT: variações resultantes do plano nos índices de actividade


























Assim, supomos que a quebra na frequência dos estabelecimentos pela perda de acesso directo por automóvel será reduzida, uma vez que as vias encerradas dispõem de poucos lugares de estacionamento, que ademais são gratuitos e têm, por isso, baixa rotatividade.
Podemos também antecipar que existindo condições de conforto substancialmente melhoradas, os peões que atravessam a vila escolham fazê-lo com maior frequência pelas vias renovadas. Além de mais travessias, é previsível também que a maior disponibilidade de espaço resulte em maior permanência e maior diversidade de actividades.
Isto já constituirá uma melhoria da atractividade comercial destas zonas, mas elas podem ainda atrair pessoas que não frequentam actualmente a vila por falta de condições de conforto.
....................................................................................................................................................

Variações nos índices IAT: integração


A integração dos espaços depende muito da actividade, pois partilha muitos dos seus factores. Portanto, no cálculo da variação dos seus índices houve a mesma prudência de não prever o comportamento das pessoas e dos agentes sociais.
Existem dois dados de base negativos neste novo cálculo: um deles é a perda de acessibilidade das vias encerradas ao trânsito, que ficarão indisponíveis para um importante meio de acesso. O outro é um prejuízo generalizado no acesso aos transportes públicos, por força de o novo trajecto nas chegadas deixar de atravessar a vila, seguindo directamente de Santa Catarina para o terminal.
Por outro lado, a acessibilidade melhora, é claro, para os peões dos espaços renovados.

IAT: variações resultantes do plano nos índices de integração


























Mas um substancial incremento da integração não resultará apenas do aumento da actividade, com mais pessoas e mais estabelecimentos. De igual forma depende de novas práticas que aumentem a densidade social das zonas renovadas.
Uma delas é o incentivo à permanência pelo tratamento do espaço público e a tendência para que arquitectura seja, ainda mais do que já é, destinada ao uso público.
A outra é o aumento da proximidade do comércio, que ganha com este plano relevantes novas possibilidades. Para além de ficar sem trânsito automóvel, o espaço público das ruas encerradas poderá então receber esplanadas, mostruários e outra informação, tornando mais viva a presença das ofertas comerciais.
Esta proximidade poderá ser alargada através da promoção integrada da nova Vila Baixa, através de um plano de ‘marketing’ conjunto.
....................................................................................................................................................

Variações nos índices IAT: interesse


As variações directas nos índices de interesse são positivas, embora reduzidas, e têm justificações muito simples.
A mais importante é o novo piso das vias encerradas, que aqui se prevê em calçada portuguesa com padrões e motivos decorativos.
A outra é o transporte da estátua de Damião de Góis situada junto ao tribunal para o Largo Palmira Bastos. Pelo seu grande valor cultural e artístico, esta estátua beneficiará muito mais pessoas se estiver onde elas estão, ao invés de estar à beira de uma estrada movimentada, onde são poucas as que a vêem. Simbolicamente, passará a ser um patrono e um líder, ao estar no centro da vida alenquerense, e não um mestre-de-cerimónia, que dá as boas vindas a quem entra.

IAT: variações resultantes do plano nos índices de interesse


























Mas para além deste significado e do benefício simbólico de ter Damião de Góis mais presente no convívio dos alenquerenses, há razões práticas que aconselham esta deslocação.
Uma estátua é um elemento muito valioso de marcação da polaridade de um centro, e uma referência estética muito positiva. O seu efeito na qualidade de um espaço é substancial, tornando-o mais atractivo. E nenhum outro lugar mais do que um centro precisa de um elemento como este, pois aqui este incremento de atractividade será rentabilizado pelos estabelecimentos vizinhos.
Falamos, a princípio, de pequenos efeitos, que se tornarão maiores se a actividade aumentar e que poderão ser substancialmente maiores a prazo, se este aumento se tornar consistente e se reflectir na qualidade dos edifícios e dos seus elementos construtivos.